segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Telêmaco Borba SOLIDÁRIA

Telêmaco Borba mais que nunca SOLIDÁRIA e isso me faz acreditar que podemos ser, um dia, quando quisermos uma cidade melhor.

Solidariedade é um sentimento andarilho... Uma alma andante numa estrada onde se colhe dúvidas e lições, dor e esperanças, lágrimas e sorrisos... É um sentimento que parece ter vida própria quando se depara com a fraqueza, a força, o medo e a coragem...

Solidariedade é, também, um caminho que vela e revela a Vida... A partir dela possibilita novas perguntas e muitos segredos... Tesouros que nossa população, mais que nunca, leva no peito.

Paro e me questiono sobre SOLIDARIEDADE... uma ação, um verbo que no seu sentido literal  quer dizer “uma forma de tornar mais forte e mais viva a vida de todos”... mais permeável, mais receptiva... uma forma de libertação de todo entrave social e pessoal através da proximidade com o seres humanos de verdade – aqueles que sofrem, que penam, que são excluídos, perseguidos, esquecidos, intolerados... seres humanos apenas que na maioria das vezes e das histórias sequer sabem o que é viver... muitos se esqueceram... outros nunca tiveram a oportunidade...

Solidarizar-se parece ter uma certa parceria com compaixão... quem sabe... compaixão é um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem.

Todo gesto de SOLIDARIEDADE implica em desmistificar verdades absolutas... encontrar no próprio “eu” a promessa de diluição dos variados sofrimentos próprios e alheios...pois é no outro desconhecido, que seja amigo também é que encontramos a resposta de como é importante partilhar para viver... É na partilha da alma que emergirá naturalmente, valores essenciais como amor, paz, liberdade, harmonia, equilíbrio, ética e respeito. É um impulso de incluir o máximo de pessoas possíveis num movimento evolutivo generalizado em que a igualdade e individualidade de ambas as partes seja o foco, a premissa mais importante. Base de tudo isso? RECIPROCIDADE!

Compaixão + Solidariedade = Reciprocidade. E o que é ser  ou estar recíproco?

Acredito que é a arte de influenciar e ser influenciado. Quando influenciamos nos incluimos na fluência da outra vida e assim, nos tornamos mais Vivos. Permitir ser influenciado é aceitar que a fluência de vida do outro nos penetre e toque a nossa vida, mais que isso a nossa alma. A reciprocidade é a troca de elementos vitais que nos dá a certeza de que temos valor para alguém, para um contexto, para o nosso mundo.

Enfim, não é preciso mais divagar num mundo literal de solidariedade, compaixão e reciprocidade... Vejo, com grande alegria, que Telêmaco decidiu por sempre seguir nessa estrada única... Nossa gente de Telêmaco Borba mostrou que pode fazer da tristeza o nascimento da alegria...

Uma gente que não fugiu da luta, da dor e do medo... Levantou a tempo de ser útil e acima de tudo, irmã... Minha terra, minha gente, gente que faço parte mostrou que aqui anônimos trabalharam em prol do bem comum para a realização do bem de todos, sem ver a quem e aonde...
Da tragédia, enfim, nasceu o amor.

Encerro as minhas palavras com as palavras de Fernando Sabino:
“Façamos da interrupção um caminho novo.
Da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte,
da procura um encontro!”

Texto By Gra Ekermann publicado no Jornal Expresso Notícias de junho de 2013 por ocasião do excesso de chuvas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

BOM X JUSTO

Victor Hugo renomado escritor escreveu: “SER BOM É FÁCIL. O DIFÍCIL É SER JUSTO” e cito o autor pensando em justiça na acepção da palavra PENALIZAR.

Penalizar é a ação de punir alguém. Entendida a palavra penso que penalizar no sistema carcerário brasileiro é castigar.

Entretanto penso que a justiça deveria mais que, apenas, castigar. A justiça deveria não apenas limitar a liberdade, mas, lutar para reinserir o delinqüente no seio da sociedade como cidadão que cumpriu com suas obrigações. ISTO É JUSTIÇA.

Tenho certeza que muitos não entenderão pela ótica que ora protesto. Aceito todas as opiniões, pois, vivemos a liberdade de expressão. Contudo, não acredito nesse tratamento da delinqüência como meros dejetos que jogamos num local abominável como restos que a sociedade expurga. Pra aliviar as palavras afirmo que o Sistema Penitenciário com a superlotação combinado à falta de investimento é um depósito humano. Sistema decadente que não atinge somente os apenados, mas, as pessoas que estão em contato direta e indiretamente com essa realidade carcerária como famílias e operadores do sistema.

Será que o mero encarceramento dos delituosos sana o problema da violência?  NÃO, posto que as notícias informem dia a dia que a ressocialização não é um fato concreto no país.

Aqui em Telêmaco Borba temos uma cadeia com um número de encarcerados muito superior ao permissível, ou melhor, cabível. Seres humanos que se apinham feito objetos mal quistos e convivem 24 horas com a dor, horror, fedor, esquecimento, indignidade, e toda sorte de situações desfavoráveis à futura reinserção social. Uma certeza: O sistema presidiário acarreta a reincidência dos presos na sua grande maioria. Se, porém, as técnicas de ressocialização fossem respeitadas e aplicadas, com base na garantia constitucional do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, o tempo de pena seria eficaz atingindo os objetivos do Sistema Presidiário.

O sistema de encarceramento tem como objetivo a ressocialização, educação e a referente punição ao seu delito. É uma forma de vingança social, quando o Estado assume a responsabilidade de retaliação dos crimes, isolando o criminoso para que ele possa refletir sobre os seus atos, alheio a influências externas (entra para uma escola-cadeia muito pior do que qualquer influência externa).

A construção de presídios ainda não é uma prioridade na segurança pública do Brasil, pois governos preferem investir em viaturas, o que é mais visível e que dá votos.

Uma cadeia moderna deve neutralizar - punir e reinserir. Não apenas punir. Um presídio moderno é justo para receber um delinqüente e transformá-lo num cidadão resgatado. Um presídio voltado ao que ora trato em conjunto com ações preventivas vai além do que apenas punir... É, certamente, a médio e longo prazo a reinserção do ex-detento, porém, com dignidade de quem cumpriu com suas obrigações.


Reitero: Em contato com a violência, com o crime e com o criminoso é fácil ser bom e simplesmente encarcerar o problema... E justo é possível? 

Texto By Gra Ekermann publicado no Jornal Expresso Notícias em 2013.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Não tem mais brincadeira... Ê José...

“O rei da brincadeira... Ê, José!
O rei da confusão... Ê, João!
Um trabalhava na feira... Ê, José!
Outro na construção... Ê, João!...”

Um jovem no auge de sua vida, José, no auge de sua juventude, João... Na ânsia de viverem, ambos, José e João, se deram o direito de viver em êxtase como se o minuto seguinte não fosse mais existir... NÃO EXISTIU – não para João...

Os jovens de um modo geral não acreditam que a vida se finda e que no minuto seguinte, devido a alguma atitude mal calculada, os resultados lhe serão muito caro... Nesta conta, deveriam levar em consideração a priori suas famílias. “Família” deveria ser o primeiro argumento para o jovem não seguir em frente com sua coragem de meia pataca...

Como segundo argumento diria a VIDA... Diante da parca vivência a imprudência faz morada naturalmente nos atos da juventude... Por que ser prudente se os riscos sempre valem a pena? Depois, quando nada sair errado virão as risadas, as falácias nas rodas de amigos onde sob o efeito de muita cerveja o feito dará ao mesmo status de arrojado, macho, O CARA...

Imperito o jovem? Imagina...  Muitos jamais aceitarão a hipótese de ser um imperito em relação à sua vida. Dizem em alto e bom tom que sabem sempre o que estão fazendo, sabem sempre por onde estão andando e com quem caminham... Sabem como ninguém usar a velocidade de um carro ou uma moto a seu favor... Ao amigo que se foi, depois de algumas lágrimas e bastante sofrimento vão lembrar que ele não soube entrar bem na curva, não soube usar o freio, foi o azar... Não sabem estes jovens que eles da vida nada sabem... Muitos não chegarão a idade madura para pensar nos erros que um dia cometeram...

Negligentes? Bem, esta palavra sequer existe no dicionário do jovem... Desconhecem o seu significado literal... Falta de cuidado, descuido, desatenção, displicência... Enfim, sem generalizar, mas, boa parte dos jovens não tem a atenção que deveriam com suas vidas, com suas responsabilidades, com suas obrigações...

São 4:30 da manhã. Acordo num sobressalto com um barulho ensurdecedor... Parece ser um grande acidente... Meu coração fica em minhas mãos, que trêmulas se unem pedindo ao Deus que proteja a todos que nessa hora se encontram nas ruas... Em seguida uma sirene e logo mais outra... Tenho a certeza de que algo ruim aconteceu... Penso que segurança pública é um tema que me tira o sono, não apenas porque presido um Conselho e diariamente busco encontrar soluções no meio da balburdia e imprudência da juventude que, sem medos e sem limites, desafiam não apenas as regras de uma sociedade organizada, mas as regras da vida... Tenho certeza que houve um acidente e que isto faz parte da segurança também, posto que, o jovem na ânsia de viver é uma arma em potencial que perambula com sua coragem em errar, fraudar, ir além do que é possível e o resultado é a tragicidade, sempre...

Fico aqui no alto dos meus 45 anos observando a jovem que fui, talvez, não tive coragem pra ousar morrer moça e restei como muitos contemporâneos que ora, juntos, compomos uma cidade, que, aliás, chora a perda de mais um filho... Muitos amigos que viveram e morreram na minha história chamar-me-iam naqueles dias de COVARDE, deles resta-me a saudade e a certeza de que minha coragem era para viver e não para morrer... Espero que a nossa juventude entenda o quadro da dor - Se acovarde ao risco - Escolha viver – Fuja da regra onde ser jovem é correr riscos e ouse Viver por um mundo melhor.

“Amanhã não tem feira... Ê, José!
Não tem mais construção... Ê, João!
Não tem mais brincadeira... Ê, José!
Não tem mais confusão... Ê, João...”

(versos da música Domingo no Parque de Gilberto Gil)
Texto By Gra Ekermann publicado em outubro de 2013 no Jornal Expresso Notícias


TelêmacoBorba#Tragédia#JoãoeJosé#jovem#quererviverouquerermorrer#escolherdependesomentedevocê#euqueroviver#Paz#

Cemitério São Marcos – Ali jaz o respeito aos mortos...


Como se 1975 fosse ontem, a lembrança do “passamento” de uma tia-bisavó, acontecia numa tarde de chuva com sol como em dia de casamento de espanhol o que tornava o momento único e eu, com 7 anos, chorava uma saudade que, a partir dali, seria minha companheira...

O caminho, chamado passamento, era feito a pé e as pessoas que seguiam em solidariedade caminhavam cantando hinos alternando com orações em tom de drama... Fiquei com medo, confesso.

Enfim, depois de uma extenuante caminhada, pois minha parenta morava perto do Antigo Cine-Luz, me deparei com grandes muros que separavam os vivos dos mortos... Contudo, mesmo sabendo que ali era uma cidade de mortos, a curiosidade infantil me fez passear entre túmulos bem cuidados que pareciam gigantes devido a minha pequena altura com suas estátuas de anjos que me fazia tremer...

O cemitério parecia realmente uma cidade sem vida... Mas de forma estranha bela com seus jardins, flores, estátuas, fotos em preto e branco, epitáfios que já chamavam a minha atenção, pois, contavam a história de pessoas que residiam naquele Jardim de Pesar... A partir dali, a palavra saudade passou a ter um endereço chamado Cemitério São Marcos...

Passei a infância visitando o Cemitério no mínimo 2 vezes ao ano com meus avós. Não, não o Cemitério... Visitávamos a minha tia-bisavó entre outros parentes e amigos que se juntaram a ela... Tudo bem, realmente eu achava estranho visitar o cemitério para “encontrar” alguém que estava no céu, todavia, como dizia minha mãe, ali estavam apenas restos mortais e histórias de vidas, logo, para não esquecer que todos possuímos uma origem, uma descendência, assim, nossos mortos persistem a nos lembrar de onde viemos e para onde vamos um dia...

Minha família, como muitas que lá eu encontrava, comemorava a vida e lamentava a morte... Todos contavam de suas saudades e como era viver a partir do fim de alguém querido... Levavam flores, limpavam cuidadosamente o entorno de cada túmulo o que tornava o ambiente, mais que nunca, a cidade que eu via, com ruas, calçadas, jardins e estátuas a vigiar mais os vivos do que os mortos...

Uma observação, aquela cidade de túmulos era bem cuidada, já que, dentro daqueles muros havia a história de nossa gente de Monte Alegre, Cidade Nova e Telêmaco Borba...

Mas o tempo como o vento se passa...
Lá no São Marcos, junto com minha tia-bisavó há, agora, uma multidão de gente que viveu conosco hoje, esquecidos estão entregues a ação do tempo, do vento e do esquecimento...

O que acontece conosco em Telêmaco Borba?
Será que um cemitério é assunto pequeno diante da balburdia da saúde pública, do trânsito caótico, da falta de creches, dos buracos do asfalto, das filas do SUS, da violência pública... Um cemitério pode ser esquecido, pois, o orçamento público nunca se vota, o candidato da terra nunca vira nada, o pára-quedista chega “chegando”, o fulano que se canditará nas próximas eleições municipais precisa ser vigiado, o cargo prometido e não foi cumprido, as denúncias nas Redes Socias... O carro do secretário, as diárias dos poderosos, as contas do ex-prefeito, a CPI da Rodoviária, a festa de 50 anos... Enfim, a poluição sonora pública é muito maior que o silêncio funesto da Eterna Morada...


Confúcio pensador Chinês há mais de 1500 anos já dizia: “Para que preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro...”

Texto By Gra Ekermann publicado no Jornal Expresso Notícias e, 14 de fevereiro de 2014.


TelêmacoBorba#CemitérioSãoMarcos#descaso#jazhistória#jazcidade#

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Rodoviária de Telêmaco Borba – uma obra com resultados efetivos?

Os municípios da modernidade buscam não apenas a transparência e a legalidade, hoje, buscam o uso do Princípio da Efetividade. Certamente uma nova metodologia de trabalhar a administração pública e suas contas (o seu dinheiro ou o nosso dinheiro).

Mas a priori, por que me interessa tanto o assunto?

Por questões “óbvias e ululantes” como diz meu amigo Orlando Galvão. O interesse é natural posto que a coisa pública é tão minha quanto sua, caro leitor, quanto da população inteira, no caso em tela, da nossa cidade pois me refiro à administração municipal.

Já citei dias atrás uma frase de Julio Cesar: “Não basta a mulher de Cesar ser séria, tem que parecer séria...” amigo leitor aonde quero chegar com tal comentário?

Nos dias atuais não basta, apenas, a obrigação abstrata de agir na legalidade. O Princípio da Legalidade é pilar na Administração Pública. Há coisas que são legais e imorais (muito comum), há coisas que são maquiadas de legais (por fora bela viola e por dentro...).

Contudo, a atividade real ou o fim moral de um ato seja uma obra pública reside no seu verdadeiro resultado.

E como mensurar isto? A eficácia plena será o parâmetro de validação de cada unidade monetária aplicada. 

Não queremos apenas saber no que foi aplicado o nosso dinheiro, não queremos apenas saber que o trabalho está sendo feito, nós queremos RESULTADOS EFETIVOS e plenos daquilo em que foi gasto o nosso dinheiro.

Desta forma, nasce nesse horizonte uma luz para a administração – Uma Administração Coerente – que receba o ambiente público e dele faça não apenas o necessário dentro dos parâmetros legais, mas usando o Princípio da Eficiência.

A bíblia ensina, inclusive, contabilidade pública. Cristo na parábola dos talentos (Livro de Mateus) já cobrava resultados positivos na administração da coisa confiada. Não por acaso sentenciou rigorosamente aquele dos três servos que devolveu o capital do mesmo tamanho que havia recebido, confiscando-lhe os recursos e repassando-os aos que multiplicaram seus quinhões.

Para exemplificar: A RODOVIÁRIA, uma obra de grande vulto onde foram gastos valores exorbitantes e... não surtiu o efeito esperado!

De tal obra não houve bons resultados, muito menos proveito por nossa população (que pagou caro e não conquistou o produto esperado)...

Houve fiscalização, sim houve... Para que se pague uma obra licitada a mesma deve ter acompanhamento fiscalizatório tijolo por tijolo (rachadura por rachadura, infiltração por infiltração...), repito: A eficácia e o resultado será o parâmetro de validação de cada unidade monetária aplicada”.

No caso em tela: Rodoviária = Não efetividade.

Gestão de resultados: Resultou sim, em (seqüelas) mais problemas e mais despesas.
Conta a ser feita: INEFICIÊNCIA ABSOLUTA.


Obs. A história dos homens e suas obras são fantásticas: quem não as conhece, ou rapidamente as esquece, está sujeito a repetir os mesmos erros...

Texto By Gra Ekermann publicado no Jornal Expresso Notícias em junho de 2013.

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

SARAMANDAIA é aqui em Telêmaco Borba!

Povo de Telêmaco Borba, não fique aí com cara de Malaquias-cade-minha-farofa! Tome logo os providenciamentos necessários!

O ano impar de 2013 em pouco mais de 100 dias se encerrará para que, prafrentemente, entremos nos providenciamentos da próxima eleição, assim, caberá aos observacionistas da imprensa escrita e faladista desta terra de Coronéis se acotovelarem por detalhes pérfidos ou iluminados dos nossos candidatos.

Muitas falantíces  surgirão entre os que estarão aptos ao ringue desse “MMA”. Literalmente será um vale tudo de simulacros e falácias, contudo, pra esse mundo adentrar há um detalhe: Tem que fazer parte do “cartel” dos senhores absolutistas do mundo politiqueiro...  Um mundo para poucos (monopólio absoluto).

Vamos botar de lado os entretantos e partir para os finalmente.
Quem serão os candidatos dessa terra sem representantes?

Agora, numa buscativa da ultima eleição pra deputado, demorei lembrar o nome pra quem confiei o meu voto... Enfim, com admirância lembrei-me que o candidato foi eleito e, aqui em Telêmaco Borba bem votado, na época visitou a mim e minha família, de chapéu em riste, tipo cawboy propôs com vozeirão de cantor de rodeio que nossa terra tinha pra ele valor de terra natal... Surpresamente percebi que, nestes 4 anos que passaram não vi o meu deputado aparecer, a não ser, casuisticamente, na eleição para prefeito onde caminhava na Avenida Horácio Klabin com uma equipe eleitoreira que perdeu o pleito prefeitoristico por razão de que, seu Líder maior e Alcaide, desaforisticamente, passou no final das horas para o lado mudancista[i]...

E o meu Deputado? Naquele momento eleitoristico mucipalesco se esquecera de mim e cantava pra outros ouvintes...

Todo primeiro ano de governo municipalístico tem lá suas patetices e desvairamentos. Aqui, como em muitos lugares do País há sempre um encachacista verborreico que se sente no direito de assassinar o português... Não, não é mera ação piadística, mas, mesmamente uma vergonhice que testemunhamos dia a dia. Vinicius de Moraes falava de filhos (filhos se não tê-los como sabê-los?)... Vou usar uma forma análoga da frase do poeta, com a devida vênia, exclusiva para nossos mudancistas declarados de ações futurescas: Desconhecistas declarados? Se não tê-los como sabê-los?

Pratrasmente em Telêmaco, nós o povo que marcha sob o efeito do odor deselegante da rodoviária, sempre tivemos líderes discursistas de poucas ações...

Acostumamo-nos morar em cidade suja onde impera a cegueirice, surdice e mudice de todos nós... De tal maneira nossos 49 anos não, ainda, nos ensinaram que é hora de dar uma banana nas urnas para todos os que nos prometem para em seguida nos esquecer... Tal ação bananística gostaria de estender à todos aqueles nomes deputáveis dessa cidade amada que entram na briguetude, apenas, para não cair no esquecimentício esmolecente da nossa população...

Há, por aqui também, um poder geral e absoluto que no seu terrorismo vingadista de um cargo primeirista se imagina o Rei Sol lá da França antiga repleto de decisões infundadísticas...

Muitos sonham do alto das suas coroas narcisisticas serem eleitos e carregados nas mãos do povo da terra do papel... Sim, teremos muitas candidatices, mesmamente que tal decisório prejudique-nos, pois, conspiram nosso futuro como reis vaidosos e esquecem-se que, escrupulos são manifestadamente solicitadas nas ruas do nosso Brasil.
Infelizmente, quando muitos se levantam, como ora aparentam levantar, perderão num futuro proximoresco, juntos, por vaidade em escolher apenas um entre eles que represente nossa gente... Sem saída, Telêmaco Borba afundará na confabulância político-sigilista sobre as tantas candidaturas...

Deverasmente política em qualquer lugar sempre resulta em pecadismos, mexiricâncias e bacafuzadas. Quanto a nós? Assistiremos numa platéia privilegiada, sem perceber que na nossa vidinha novelística as mudancices jamais serão realidade.

Bobices acontecem em todos os cantos desse grande País, mas, como diz Odorico Paraguaçú Prefeito de Bem Amado, cidade vizinha de Saramandaia: “Como diria o rei dos persas, Dario Peito de Aço, pra cada problemática tem uma solucionática. Se não disse, perdeu a oportunidade de ser citado por mim.”

Texto By Gra Ekermann publicado no Jornal Acontece em agosto de 2013.




[i]  Embora a Turma da Mudança prometer as mudancices, até hoje nada vimos...

E AGORA JOSÉ???


Em 2005 conheci um pequeno menino em frente à Padaria pedindo um pão, um leite, algo para comer... Todos os dias ali no mesmo horário lá estava com seus olhos de tristeza absoluta, de fome e desamparo...
Como não consigo ficar sem conversar perguntei seu nome: “Zé Ninguém,” me disse como sua avó o chamava... Naquele dia fiquei impressionada com o entendimento de sua cruel realidade. Perguntei o que ele queria: _ “Um pão tia, eu quero um pão...”

Os dias iam passando e Zé Ninguém sempre lá a espera de um pão, talvez um leite quem sabe atenção pensava eu... Aos poucos me aproximei e de apenas tia virei Tia Gra, o pão virou um lanche e seus olhos brilhavam quando eu chegava lá...

Na teoria dar esmolas, pagar lanches para tais crianças é um pecado, um crime. Esmolar significa incentivá-los a continuar como pedintes... Concordo... Contudo, meu coração não permitiu dar as costas e Zé Ninguém passou a fazer parte da minha história...

Um dia me explicou que não gostava de receber dinheiro, surpresa fiquei... “_ Com dinheiro na mão sou refém de meninos maiores que me tomam...” dizia ele, outro motivo era a sua avó que o lembrava: “Zé Ninguém não esqueça que temos fome, então peça comida...”

Os anos foram correndo e eu, testemunha da vida do Zé... Sim, ele freqüentava escola fato que auxiliava a avó com o Bolsa Família, dava pra por uma arroz e feijão na mesa que comiam muitos... Ele para repartir com os irmãos sempre ficava com a menor parte...

Pequei mil vezes, não pude cumprir na prática com a teoria da esmola... Penalizei-me mil vezes...

Zé vestiu muitas vezes roupas de meus filhos e ficou lindo, quantas vezes lhe pedi um sorriso e no máximo ganhei um parco olhar com brilho nos olhos querendo lá no fundo me falar que sua realidade não permitia ser feliz...

A vida voou e em 2012 perdi Zé de vista, não tive mais notícias por onde andava “Ninguém”... Pensei que, talvez, tivesse ido embora.

Nesta semana, encontrei “Zé Ninguém” numa esquina sentado no chão com um pão tardio matando quem lhe quer a vida... A fome sempre foi sua algoz e agora, mais que nunca, lhe escraviza com sordidez... Zé não é mais o pequeno de outrora, seu tamanho não condiz com sua inocência que, aliás, não perdeu... Sua idade? 17 anos. Um homem. Um rapaz que pelas feições tristes, as roupas sujas, curtas (me lembra Peter Pan), longe do local primeiro que era a padaria... Parei pra conversar e perguntar o que havia acontecido, qual foi a sua resposta? “_ Tia Gra eu cresci e agora as pessoas tem medo de mim...”

Zé Ninguém como na história de Peter Pan não queria crescer... Cresceu, porém...

Se criança fosse haveria sempre um adulto de coração mole feito o meu para alimentá-lo... Zé Ninguém se deparou com a parte cruel da teoria da esmola: Um dia a criança que recebe a esmola cresce...

Então pensei que Drummond fez seus versos para o meu amigo “José Ninguém”:
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? ... Sozinho no escuro qual bicho-do-mato... Sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja do galope, você marcha, José! José, para onde?

Texto By Gra Ekermann Publicado no Jornal Expresso Notícias de agosto de 2013.